No terceiro momento reservado para continuar os estudos, eu decidi iniciar novamente a leitura de um livro que já tinha começado há um tempo, mas nunca tinha finalizado: O Conto da Aia, de Margaret Atwood. Desde o início da leitura, fui lembrando o quanto a história é intensa e, ao mesmo tempo, angustiante. O livro retrata a vida de June, que passa a viver em uma sociedade totalmente controlada por um governo autoritário, onde as pessoas, principalmente as mulheres, têm seus direitos completamente retirados. Ao longo da narrativa, percebemos o quanto ela perde sua identidade, sua liberdade e até o controle sobre o próprio corpo, sendo obrigada a seguir regras impostas sem questionamento. Além disso, a separação de sua filha e de seu marido torna tudo ainda mais doloroso, mostrando o quanto esse regime afeta não só o indivíduo, mas também os laços familiares e emocionais. A leitura me fez refletir bastante sobre liberdade, direitos e até sobre coisas que, muitas vezes, consideramos garantidas no nosso dia a dia.
Na semana seguinte, durante a mini aula, tivemos um momento completamente diferente, mais leve e acolhedor. As pessoas responsáveis pela acolhida trouxeram a pintura de bandeirinhas, aproveitando o clima festivo de São João. Eu achei essa atividade muito interessante, principalmente por valorizar uma cultura tão rica do nosso país e por permitir que cada um expressasse sua criatividade de forma livre. Depois disso, tivemos um lanche coletivo, onde compartilhamos comidas típicas, o que também reforça muito essa ideia de união e partilha que é tão presente nas festas juninas. Eu acabei comendo bastante bolo de milho, o que foi curioso, já que normalmente eu não gosto de milho, mas naquele momento acabei gostando, talvez por conta do clima, da convivência e da experiência como um todo.
Na atividade principal, a Annie e a Simone dividiram a sala em grupos e distribuíram imagens relacionadas a elementos típicos das festas juninas, e nós tínhamos que identificar a região do Brasil correspondente a cada uma delas. Eu, Sara, Mariana e Luís Carlos ficamos um pouco confusos em algumas imagens, justamente porque muitos desses elementos são comuns em diferentes regiões do país. Isso me fez perceber o quanto a cultura brasileira é diversa, mas ao mesmo tempo interligada, com tradições que se misturam e se reinventam em diferentes lugares. Em seguida, recebemos um papel em branco para desenhar algo que representasse as festas juninas. Luís Carlos desenhou uma apresentação de quadrilha, enquanto a Sara desenhou as pessoas assistindo, o que mostrou diferentes olhares sobre a mesma festa.
Ao pensar na relação entre esse momento com a leitura do livro, eu pude perceber um contraste muito forte. Enquanto em O Conto da Aia vemos uma sociedade marcada pela repressão, pela perda de identidade e pela ausência de liberdade, na mini aula vivenciamos exatamente o oposto: um espaço de expressão, de cultura, de convivência e de liberdade para criar, compartilhar e participar. Isso me fez refletir sobre como momentos simples, como pintar bandeirinhas ou compartilhar um lanche, carregam um valor muito maior do que parece, pois representam algo que nem sempre é garantido em todas as realidades.
Na reflexão final da aula, tivemos que escrever como nos sentimos, e eu destaquei que descobri gostar de bolo de milho, além de mencionar que gosto do jogo de pesca e de baião de dois. Pensando melhor agora, percebo que essa atividade foi importante não só pelo conteúdo, mas também pelas experiências que proporcionou, mostrando que aprender também pode estar ligado à cultura, às vivências e às emoções.
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