No segundo momento reservado para o estudo, novamente cada aluno levou dois livros para compartilhar com os demais. Apesar de haver muitos livros interessantes, o que mais chamou minha atenção foram as revistas que o professor disponibilizou. As pessoas perderam o interesse pelas revistas ultimamente devido ao uso dos celulares, mas eu fiquei tão imersa nas curiosidades que senti vontade de assinar alguma revista para ler todo mês. Ao fim da aula, houve o sorteio das duplas para a mini aula, e eu fiquei responsável pela atividade junto com a Lívia.
A minha ideia inicial era fazer um jogo de curiosidades, como um verdadeiro ou falso. Mas depois pensei na discussão da aula passada sobre articular os conteúdos historicamente acumulados com os conteúdos que nos completam em sala. Então, lembrei que um aluno meu do PIBID estava interessado em saber sobre mapas. Ele é do primeiro ano do ensino fundamental, então ainda está aprendendo sobre como funcionam os espaços geográficos. Eu tentei explicar para ele que todos vivíamos em um país, que é o Brasil. Depois falei do estado, segui para a cidade e, por último, o bairro dele. Daí veio a ideia de montar alguma atividade que envolvesse mapas e desigualdade social.
A Laís e a Cecília ficaram com o início da aula. Elas trouxeram uma proposta de acolhida em que cada um falou sobre alguma lembrança marcante em qualquer lugar da cidade. Foi bonito ouvir algumas das lembranças; outras foram engraçadas. É interessante perceber como as pessoas se conectam mais quando descobrem alguma curiosidade sobre o outro.
Depois, eu e a Lívia entramos com a atividade principal, que, no primeiro momento, consistia na análise de quatro fotos de alguns bairros de Fortaleza. Então, dividimos eles em três grupos. A ideia era que, a partir dessas imagens, eles trouxessem diferentes aspectos encontrados durante a observação, mas foi bem além disso. A discussão tornou-se bastante rica quando, além de apontarem diferenças visíveis, eles também comentaram o que sabiam previamente sobre esses bairros e curiosidades que alguns não conheciam. Então, cada um foi contando e aprendendo cada vez mais, além de enxergar criticamente todo o contexto. Eu achei um momento muito importante, tanto que levou um pouco mais de tempo do que tínhamos estipulado para aquela parte da atividade, mas nem eu nem a Lívia tivemos coragem de atrapalhar a linha de pensamento deles.
Depois do intervalo, nós fizemos um jogo em que eles, ainda na formação de grupos, teriam que montar o mapa de uma cidade fictícia, mas, para isso, haveria regras e imposições. Cada grupo ganhou uma categoria: o primeiro grupo teria bastante recursos para explorar, além de serem os primeiros a escolher; o segundo grupo ficou com menos recursos; e o terceiro, com menos ainda. Então, em ordem, eles tiveram que decidir onde ficariam localizados os principais serviços de uma cidade, como escolas, hospitais, comércios, áreas de lazer e indústrias. Assim, eles foram entrando no personagem e percebendo como a desigualdade age em nossas vidas. No final, os ricos continuaram ricos, a classe média ficou pobre e os pobres ficaram cada vez mais pobres.
A Sheila e a Solange encerraram a atividade com um mapa das emoções, em que cada um expôs o que sentiu ao realizar a atividade. Foi um momento de partilha não só sobre a atividade, mas também sobre o que ela significa para além disso. Comentamos sobre as injustiças que ocorrem diariamente e sobre os direitos que são feridos dia após dia, mas que não ganham a visibilidade que merecem. Eu, particularmente, achei essa aula muito sensível e importante de ser trabalhada. São momentos como esse que nos inspiram a tentar fazer diferente, a ensinar a verdade na sala de aula, usando a história e a geografia de forma real, que faça sentido para quem aprende. Acredito que essa seja a maneira mais fiel e política de ensinar.
Foi uma atividade incrível, ainda hoje reverbera na minha mente. Parabéns 👏👏👏👏
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