terça-feira, 5 de maio de 2026

Eu, eu, eu e o Ensino de geografia e História - Cecília Maia Sales

Estar fazendo a disciplina de Ensino de geografia e história tem sido transformadora. Lembro-me de receber o primeiro e-mail do professor avisando o dia de início das aulas e de me sentir esperançosa e ansiosa, de certa forma, para esse novo ciclo. Finalmente iniciar as disciplinas de ensino. Ao mesmo tempo que tinha medo de não me sentir capaz, tinha uma curiosidade e nem conseguia imaginar como essas aulas poderiam ser. Inicialmente, estava matriculada na turma da noite, mas no primeiro dia de aula não poderia estar presente neste turno e solicitei ao professor que pudesse participar como ouvinte da aula no turno da manhã, pois não queria perder nada. Me senti muito bem, pois estava tendo aula com minha turma oficial. Também participei, na semana seguinte, da aula no turno da noite e tive uma experiência completamente diferente. Não sei dizer qual foi a melhor experiência, mas afirmo com toda certeza que são muito diferentes. Me senti muito acolhida pela nova turma, mas por questões de logística, pedi transferência para a turma da manhã.

Sobre as aulas, gostei muito da metodologia de introdução. Sempre tinha o momento para respirar, se alongar, cantar uma música. A parte da roda dos sentimentos sempre me pegou um pouco, pois tenho dificuldade de colocar em palavras como me sinto, mas percebi que sempre após a acolhida, conseguia me abrir um pouco mais. As primeiras aulas sempre eram diferentes e me faziam repensar sobre muitas coisas. O que esperar da disciplina, quais meus objetivos e o que faria para alcançá-los, o que eu gostaria de mudar no mundo, no ensino de geografia e história, etc... Sempre após as dinâmicas, o professor nos fazia refletir sobre o objetivo daquela atividade, como ela se relacionava com a disciplina e como poderíamos aplicar atividades semelhantes em sala de aula futuramente. Creio que essas reflexões foram muito importantes para que a gente se tornasse capaz de enxergar novas formas de ensinar e de proporcionar aprendizado, bem como nos apossar de tempos e espaços que nos pertencem.

Após as aulas de introdução, demos início aos ciclos de estudo. No começo, me animei muito com a ideia, pois sou uma leitora voraz, mas com um defeito: só consigo ler de fato, aquilo que me chama atenção. Eis aqui um grande problema: muitos dos livros que procurei na biblioteca ou vi disponíveis na mesa para trocarmos, não me chamava atenção, então vi vários livros que acabei não ficando nem 5 minutos lendo. Mas, como o segundo livro que deveríamos levar era um livro de nosso interesse, acabei encontrando livros interessantes pela mesa. No primeiro dia, li metade de um volume de Harry Potter e no segundo dia, Li 2 terços de divergente, que gostei tanto, que pedi emprestado para continuar a ler em casa. Nunca tinha consumido nada sobre os dois livros, então me permiti conhecer e até que gostei.

Ah, a aula no MAUC! Quando li o comunicado, desanimei. Amo artes e museus, mas já havia visitado o MAUC outras vezes e, naquele dia, não tava nem um pouco afim de escutar a história de cada quadro na visita guiada. Mas que bom que eu fui! A aula foi, com certeza, a melhor aula da disciplina! Primeiro, demos uma volta pelas instalações do museu para reconhecimento do ambiente e depois, o professor solicitou que pensássemos em 4 desafios diferentes para que outros colegas realizassem, interagindo com os espaços e obras presentes ali. Fiz desafios de encontrar 5 obras com a cor azul, 3 bonecas de pano, obras com elementos da natureza e 5 obras que transmitissem 5 diferentes sentimentos. Comecei os desafios com o mais complicado que vi: achar uma almofada em alguma obra e paralisar lá até que alguém chamasse meu nome. Por sorte, não precisei ficar parada por muito tempo, pois logo fui chamada pelas minhas colegas. E aí, a aventura começou. Uma verdadeira caçada ao novo e imperceptível aos olhos daqueles que não param. Depois de cumprir mais de 10 desafios dos colegas, resolvi fazer o meu: buscar 5 obras com a cor azul. Resolvi postar nos stories do instagram e em seguida, meus colegas começaram a comentar cores para que eu procurasse pelas obras. Me senti feliz e empolgada. Procurei amarelo, laranja, verde, marrom, roxo. Aprendi, nesse dia, que o espaço poide ser o mesmo. Mas o ambiente, quem cria somos nós. Lembrei da importância de desabituar o olhar e perceber que a beleza está nas pequenas coisas do dia, no ordinário, nos detalhes.

A disciplina não acabou, mas já aprendi tanto até aqui! Sigo atenta e sempre revendo minhas práticas como educadora, trazendo cada ensinamento recebido aqui para que eu não esqueça de sonhar em tornar o mundo num lugar melhor! Finalizo esse relato falando que meu "Eu" antes da disciplina, o meu "Eu" de agora, durante a disciplina e o meu "Eu" do futuro após finalizar o semestre, somos gratos pelas práticas, reflexões e ensinamentos!

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