O percurso pela disciplina de Ensino de Geografia e História desestabiliza minhas concepções de ensino na universidade. Essa desestabilidade sentida na disciplina por meio das propostas do professor transforma de maneira humanamente rica o nosso sentido e direção no curso de pedagogia. Acredito que a experiência na disciplina atravessou inesperadamente nossas expectativas.
A mudança de perspectiva sobre a disciplina iniciou nas primeiras aulas, voltadas à percepção sobre coletividade e autoconhecimento com atividades como, roda de sentimentos, yoga, música no momento da acolhida, escrita da agenda na lousa e registros feitos pelos próprios estudantes. A dinâmica das aulas logo me chamou atenção no primeiro dia. Lembro de chegar atrasada e o diálogo com o professor me fez perceber o quanto eu vivo no automático:
Professor: “Olá, qual seu nome?”
Sara: “Meu nome é Sara”
Professor: “Como está se sentindo hoje?”
Sara: “Estou bem”.
Professor: “O que é estar bem?”. “Qual sentimento defini “bem”?”
Nesse momento, respondi o que sempre aprendemos a responder no cotidiano, e ao ser questionada sobre meus sentimentos reais daquele dia, eu não soube o que responder. Mas no decorrer das aulas de segunda e terça passei a entender o funcionamento da disciplina numa experiência de imersão no ensino de geografia e história.
Realizamos atividades diferentes do convencional, como a roda de leitura individual dos memoriais, que trouxe reflexões profundas sobre nossa trajetória de vida. Pessoalmente, a leitura dos memoriais foi um dos momentos mais marcantes que passei em uma disciplina do curso, pois perpassou caminhos, espaços e tempos diversos que foram compartilhados pela turma.
Em outro dia realizamos uma atividade reflexiva com as seguintes perguntas: “O que quero mudar no mundo?”; “O que quero mudar no ensino de geografia e história”?; “O que quero mudar em mim?”. Cada pessoa dos grupos precisou responder as questões e trazer outras reflexões com mais perguntas à medida que respondemos as perguntas iniciais. As questões geraram um movimento de transformação, pois pensamos em mudanças externas em relação ao mundo e ao ensino e internas em relação a nós mesmos.
Em seguida, iniciamos o ciclo de estudos, que proporcionou o contato com diferentes tipos de literatura. Em duas aulas, de dias diferentes, trouxemos dois livros, um sendo de gosto pessoal e outro relacionado à disciplina, retirado de uma biblioteca pública. Observamos os livros dispostos na mesa e lemos o que desejássemos. Particularmente não me aventurei nos livros dos colegas, apenas olhei os títulos que despertaram minha curiosidade, e foquei na leitura do meu livro sobre cartografia e desenhos. Senti a tranquilidade pairar na sala, parecíamos imersos naquele universo livre de textos obrigatórios acadêmicos, mas ainda rico de conhecimentos que partiram do nosso interesse.
O próximo momento foi a realização das miniaulas, a qual participei da acolhida junto ao Luís Carlos. Propomos uma atividade com desenhos cartográficos, designando a 3 grupos a confecção de mapas feitos com colagens e desenhos de acordo com o tempo histórico sorteado. Nesse dia, senti que não soube administrar a acolhida, apesar de ter planejado e gostado da nossa proposta. De qualquer maneira, as produções dos grupos ficaram lindas. Béa e Rebeca deram continuidade à construção do cartaz com a produção de uma linha do tempo, e fechamos com as reflexões da Camilly e Thaiana sobre os sentimentos e aprendizados do dia. As miniaulas foram uma experimentação de regência de geografia e história, e pensar nisso fora dos muros da universidade ainda me causam arrepios.
Por fim, a visita ao MAUC foi a nossa última atividade até o momento. A visita foi inesperadamente fora da caixa. O professor pediu para criarmos 4 desafios e colocou numa sacola, e para passarmos pelo museu cumprimos alguns dos desafios que foram sorteados por nós. Com essa dinâmica, consegui de fato perceber sentimentos e observar as obras com outro olhar, um olhar que normalmente ignoro. Parar, observar, pensar e sentir são ações fundamentais para nossa formação docente e humana.
Finalizo meu relato enfatizando a importância de relembrar dessas atividades que possuem uma intencionalidade de nos mover enquanto gente antes de pensarmos enquanto professores (as).
Nenhum comentário:
Postar um comentário