segunda-feira, 25 de maio de 2026

Vivenciando a Pedagogia Libertadora no Ensino de Geografia e História por Maria Solange

Vivenciando a Pedagogia Libertadora no Ensino de Geografia e História por Maria Solange

Na terça-feira, dia 12 de maio, foi o momento destinado para o estudo, no qual comecei a ler um novo livro denominado “Metodologia do Ensino de História e Geografia”. O início do livro destaca que o ensino das ciências humanas, sendo estas a história, geografia, sociologia e antropologia, precisa ser pautado por um estudo crítico da relação do ser humano com o outro e com a natureza. Neste dia, o professor convidou os estudantes a escreverem no quadro branco algum trecho dos livros estudados naquela terça-feira. Escrevi um trecho que aborda o conhecimento científico como um saber que provoca a inquietação, a curiosidade e a indagação. Assim, o autor destaca que as Ciências humanas servem como instrumentos essenciais para a compreensão da história e para a reparação ao meio social do qual o educando faz parte. Neste dia também, foi feita a escolha das duplas que ficariam responsáveis pela mini aula, sendo que duas destas optaram por realizar a acolhida e a reflexão, e a outra dupla foi formada mediante sorteio.  

O objetivo para a aula de ajuste que seria realizada no dia 18 de maio era que as duplas da mini aula levassem suas propostas de  acolhida, da atividade principal e  da reflexão para compartilhar com o professor e a turma, a fim de ouvir sugestões que pudessem contribuir para a melhoria das atividades propostas. No entanto, o ajuste não foi realizado, pois o professor Eduardo teve que se ausentar devido a problemas de saúde. 

          A mini aula ficou encarregada pelas alunas Laís Rocha e Cecília Maia (acolhida), Lívia Marques e Emily Silva (atividade principal) e Maria Solange e Sheila Carneiro (reflexão). A dupla responsável pela acolhida solicitou que cada estudante falasse sobre o lugar que mais o marcou e porquê. Na atividade principal, a outra dupla fez uma espécie de mapa no quadro branco com informações sobre área nobre, área de transição, área periférica, e dividiu a turma em três equipes. Cada equipe recebeu imagens impressas de alguns lugares de Fortaleza e foi convidada a falar sobre os locais que apareciam nas imagens. Logo após, a dupla escolheu as equipes que fariam o papel de elite, a da classe média e a da periferia. Assim, a dinâmica consistia em cada equipe escrever no mapa destacado no quadro quais pontos cada uma faria parte, baseado na condição socioeconômica que foi estabelecida para cada grupo durante a dinâmica.

       A dupla responsável pela reflexão foi eu (Maria Solange) e Sheila Carneiro. Nossa proposta foi  baseada na acolhida e na atividade principal, de modo a fazer articulação entre as três partes da mini aula. Além disso, o livro “Metodologia do Ensino de História e Geografia”, estudado por uma das integrantes da dupla, também serviu de base, pois o texto mostra a importância de ensinar as Ciências Humanas de forma crítica. A dinâmica deu início com a construção de um painel representando o centro e as margens da cidade. A turma foi convidada a escrever palavras e sentimentos sobre a experiência vivida e colar seus papéis no espaço correspondente ao lugar ocupado pelo grupo durante a atividade principal. Em seguida, foi realizada uma reflexão coletiva sobre como a desigualdade e a divisão dos espaços urbanos influenciam as vivências e o acesso aos direitos na sociedade.  

A última publicação da revista ETTE foi a de número 5, com relatos sobre deslocamento entre trabalho e faculdade, sobre estágio e a rotina de estudantes trabalhadores da UFC. Uma das estudantes relatou que os alunos trabalhadores são comparados a mariposas, refletindo que assim como as mariposas são seres noturnos e não participantes da lógica imposta, os estudantes trabalhadores continuam insistindo em sua formação apesar do cansaço e da lógica imposta pelo sistema capitalista.  

O dia de estudo, da mini aula e os relatos da ETTE, me fizeram refletir sobre a realidade no qual os estudantes da UFC estão inseridos. O dia do estudo me ajudou a compreender que o ensino de História e Geografia precisa ser pautado por uma mediação docente que seja intencional, visando aproximar essas disciplinas do contexto no qual os alunos pertencem. A mini aula complementou essa perspectiva, uma vez que as dinâmicas propostas possibilitaram que os estudantes pudessem refletir sobre sua realidade, compreendendo seu papel como professores, que é o de formar crianças para serem sujeitos críticos, que questionam o contexto em que estão inseridos e que possam atuar ativamente na sociedade. 

         Conclui-se, portanto, que as atividades do ciclo das últimas semanas se conectaram com a pedagogia libertadora de Paulo Freire, cuja educação tem como base uma visão crítica da realidade a partir da promoção de discussões e reflexões. Os estudantes da disciplina de Ensino de Geografia e História podem se inspirar nas dinâmicas propostas nesse ciclo e fundamentar-se na pedagogia libertadora para o desenvolvimento de suas aulas, a partir de questionamentos como: de que forma posso trabalhar determinado conteúdo de maneira que se relacione com a realidade do estudante? Como posso mediar conhecimentos relacionados à História, Geografia e demais áreas, de modo a possibilitar que os alunos pensem de forma crítica e questionem a realidade em que vivem? Que discussões podem ser levantadas em sala de aula a fim de refletir sobre o contexto nos quais os estudantes estão inseridos? As atividades propostas foram exemplos valiosos que ajudam a responder a esses questionamentos. Além disso, reflexões como essas podem nortear a prática docente baseada na pedagogia libertadora. 

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