domingo, 24 de maio de 2026

Cartografias do Afeto e do Espaço: O Desenho, a Memória e as Sensações sobre a Periferia de Fortaleza (Sheila Sousa Carneiro)


Cartografias do Afeto e do Espaço: O Desenho, a Memória e as Sensações sobre a Periferia de Fortaleza

 

As vivências na disciplina de Ensino de História e Geografia têm ressignificado profundamente meu olhar sobre o espaço e a cartografia social. Naquela manhã de estudo, enquanto me dedicava à leitura de Florence de Mèredieu sobre o desenho infantil para a preparação do meu TCC, refleti muito sobre como a criança projeta sua subjetividade, seus afetos e seus medos nos espaços que habita e representa graficamente. Essa fundamentação teórica ganhou vida de forma prática e sensível durante as atividades da nossa mini aula na semana seguinte.

Fomos acolhidos pelas memórias afetivas que nos transportaram a lugares marcantes do nosso passado, no meu caso pessoalmente lembrar de como o bairro Monte Castelo fez grande parte da minha vida e nessa atividade inicial fomos instigados a pensar sobre o pertencimento. Em seguida, a dinâmica que nos dividiu em classes sociais para ocupar as zonas de Fortaleza evidenciou como a organização urbana é atravessada por desigualdades e imposições governamentais, inclusive nessa atividade percebemos bairros da periferia de Fortaleza que muitos de nós não conhecíamos, Fortaleza cresceu tanto que realmente não deu para acompanhar tamanho crescimento e dessa forma, com essas mudanças em nossa cidade impossível não perceber que a desigualdade aumentou também.

Foi esse cenário que abriu o caminho perfeito para a atividade de reflexão que conduzi junto com a Solange. Propusemos a criação do Mapa das Sensações, onde cada colega colou post its coloridos expressando sentimentos vividos em suas respectivas realidades sociais dentro de seus grupos. Ao transpor para o quadro as angústias, os privilégios e os afetos ligados a diferentes territórios, pude perceber o quanto a sensibilidade expressa no papel se assemelha à riqueza dos desenhos infantis. Ambas as linguagens são formas de cartografar o invisível, humanizando a geografia e transformando a sala de aula em um espaço potente de escuta, empatia e partilha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário