Caros leitores,
Escrevo esta carta como uma forma de registrar as experiências vividas em mais um ciclo da disciplina de Ensino de História e Geografia. Durante os dias, tivemos diferentes propostas que envolveram estudo, mini aulas, dinâmicas e momentos de reflexão coletiva. Por motivos de saúde, não pude estar presente, mas soube que em uma das atividades, os colegas precisavam conduzir uns aos outros utilizando vendas nos olhos. Também teve mais um momento de leitura livre, em que os livros circularam pela sala de forma espontânea, permitindo um contato mais livre com os estudos e fortalecendo ainda mais a relação com o conhecimento.
Entretanto, uma das aulas mais legais e significativas foi a segunda mini aula. Iniciamos com uma roda de compartilhamento em que cada pessoa deveria citar um lugar e uma memória ligada a ele. Foi muito bacana perceber como os espaços carregam afetos tão significativos. Alguns colegas falaram dos bairros que marcaram sua infância, memórias engraçadas, lugares que desejam ocupar futuramente, sonhos etc. Poucos dias antes dessa aula, perdi minha avó, onde sua casa era o lugar de quase todas as memórias da minha infância, me veio à tona muitos sentimentos e uma imensa nostalgia, e também um conforto diante das memórias boas que ficaram. Depois desse momento da acolhida, tivemos outra atividade, sobre desigualdade social e a divisão de classes. A turma foi dividida em 3 grupos: ricos, classe média e pobres. Em uma cidade fictícia desenhada na lousa, precisávamos tomar decisões sobre a organização, recursos e ocupação dos espaços. Aos poucos, fomos percebendo que nem todos tinham o mesmo poder de escolha, nos fazendo refletir ainda mais sobre a realidade na nossa cidade, no nosso país e no mundo. No final, entendemos que quem realmente controlava as decisões eram os extremamente ricos, na qual esse era o meu grupo. A atividade foi bem criativa e toda turma se envolveu bem, porque nos fez sentir, na prática, as desigualdades presentes nas cidades e na própria estrutura social. Além disso, revelou o quanto Fortaleza cresceu e ainda cresce de forma desigual, deixando evidente que muitos bairros periféricos ainda permanecem invisibilizados até mesmo para nós que habitamos aqui.
Para finalizar, tivemos uma atividade mais reflexiva, onde cada um escrevia em post-its sentimentos vividos dentro dos "personagens" e grupos sociais da dinâmica anterior. Foi um momento de escuta, reflexão e partilha.
Essas vivências dialogam bem com as perspectivas pedagógicas críticas e sensíveis, entendendo que o ensino de História e Geografia vai além da memorização de conteúdos e saber de fatos históricos. As aulas vão nos mostrar que aprender sobre espaço, território, histórias dos antepassados e da própria sociedade também é aprender sobre as pessoas, suas vivências e desigualdades. Acaba mais um ciclo de aprendizagem, e continuo com a certeza que a educação é construída pela escuta, pela experiência e pela humanização dos saberes.
Escrevo esta carta como uma forma de registrar as experiências vividas em mais um ciclo da disciplina de Ensino de História e Geografia. Durante os dias, tivemos diferentes propostas que envolveram estudo, mini aulas, dinâmicas e momentos de reflexão coletiva. Por motivos de saúde, não pude estar presente, mas soube que em uma das atividades, os colegas precisavam conduzir uns aos outros utilizando vendas nos olhos. Também teve mais um momento de leitura livre, em que os livros circularam pela sala de forma espontânea, permitindo um contato mais livre com os estudos e fortalecendo ainda mais a relação com o conhecimento.
Entretanto, uma das aulas mais legais e significativas foi a segunda mini aula. Iniciamos com uma roda de compartilhamento em que cada pessoa deveria citar um lugar e uma memória ligada a ele. Foi muito bacana perceber como os espaços carregam afetos tão significativos. Alguns colegas falaram dos bairros que marcaram sua infância, memórias engraçadas, lugares que desejam ocupar futuramente, sonhos etc. Poucos dias antes dessa aula, perdi minha avó, onde sua casa era o lugar de quase todas as memórias da minha infância, me veio à tona muitos sentimentos e uma imensa nostalgia, e também um conforto diante das memórias boas que ficaram. Depois desse momento da acolhida, tivemos outra atividade, sobre desigualdade social e a divisão de classes. A turma foi dividida em 3 grupos: ricos, classe média e pobres. Em uma cidade fictícia desenhada na lousa, precisávamos tomar decisões sobre a organização, recursos e ocupação dos espaços. Aos poucos, fomos percebendo que nem todos tinham o mesmo poder de escolha, nos fazendo refletir ainda mais sobre a realidade na nossa cidade, no nosso país e no mundo. No final, entendemos que quem realmente controlava as decisões eram os extremamente ricos, na qual esse era o meu grupo. A atividade foi bem criativa e toda turma se envolveu bem, porque nos fez sentir, na prática, as desigualdades presentes nas cidades e na própria estrutura social. Além disso, revelou o quanto Fortaleza cresceu e ainda cresce de forma desigual, deixando evidente que muitos bairros periféricos ainda permanecem invisibilizados até mesmo para nós que habitamos aqui.
Para finalizar, tivemos uma atividade mais reflexiva, onde cada um escrevia em post-its sentimentos vividos dentro dos "personagens" e grupos sociais da dinâmica anterior. Foi um momento de escuta, reflexão e partilha.
Essas vivências dialogam bem com as perspectivas pedagógicas críticas e sensíveis, entendendo que o ensino de História e Geografia vai além da memorização de conteúdos e saber de fatos históricos. As aulas vão nos mostrar que aprender sobre espaço, território, histórias dos antepassados e da própria sociedade também é aprender sobre as pessoas, suas vivências e desigualdades. Acaba mais um ciclo de aprendizagem, e continuo com a certeza que a educação é construída pela escuta, pela experiência e pela humanização dos saberes.
Atenciosamente, Annie.
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