sábado, 23 de maio de 2026

RELATO 2 EGH (Simone Alves)

O ciclo anterior terminou com uma experiência muito marcante: a visita ao MAUC, o Museu de Arte da UFC. Durante a visita, participamos de uma atividade dinâmica que nos permitiu realizar diferentes desafios enquanto conhecíamos as exposições do museu. Além disso, tivemos um momento de aula e conversa sobre os relatos, o que tornou a experiência ainda mais significativa. Foi um encontro entre arte, memória e reflexão, mostrando como os espaços culturais também podem ser ambientes de aprendizagem.

Neste segundo ciclo, iniciamos os momentos de estudo individual. Os dois livros que escolhi inicialmente foram O homem e a conquista dos espaços, de Paulo Meireles Barguil, e Teoria, história e memória, de Elza Gomes de Oliveira, encontrado por mim na biblioteca. Entre os dois, decidi estudar o livro de Elza, principalmente pela curiosidade em relação ao tema, já que ainda não havia tido muito contato com discussões sobre memória e história. Meu estudo passou então a ser guiado pelas reflexões da autora acerca da relação entre memória, sociedade e construção histórica.

Entretanto, depois de algum tempo, senti que aquela linha de estudo não estava me prendendo tanto quanto eu esperava. Foi então que comecei a explorar as revistas disponibilizadas pelo professor e encontrei uma edição que abordava a Ditadura Militar no Brasil. A leitura me chamou atenção especialmente por relatar o caso da morte de um jornalista durante o período ditatorial, revelando as violências, censuras e injustiças cometidas naquele contexto histórico. Esse momento despertou em mim um sentimento de inquietação e também de reflexão sobre como certos acontecimentos marcam profundamente a memória coletiva de um país.

Após o momento de estudos, foram definidas as duplas responsáveis pelas miniaulas, ficando cada uma encarregada de uma parte: acolhida, atividade e reflexão final. A miniaula realizada foi muito rica. Na acolhida, a dupla nos perguntou sobre lugares que despertavam em nós uma sensação de “déjà vu”, seja por lembranças boas ou ruins. Eu respondi que esse lugar era a Beira-Mar de Fortaleza, pois vivi momentos muito especiais lá ao lado de uma amiga.

Em seguida, fomos divididos em três grupos e recebemos papéis com nomes de bairros de Fortaleza. A proposta era refletir sobre esses territórios e suas diferenças. Depois da dinâmica inicial, cada grupo passou a representar uma classe social da cidade: alta, média ou baixa. A partir disso, começamos a perceber como o acesso aos melhores espaços, serviços e oportunidades era distribuído de forma desigual. Meu grupo representava a classe alta e, ao final da atividade, ficou evidente que concentrávamos os melhores territórios, lazeres e acessos, enquanto a classe média perdia parte do que possuía e a classe baixa não tinha oportunidades.

A dinâmica provocou uma reflexão muito forte sobre as desigualdades sociais presentes em Fortaleza e em tantos outros lugares. Percebemos como bairros periféricos são frequentemente esquecidos pelo poder público, enquanto áreas nobres recebem mais investimentos e valorização. Essa discussão dialoga diretamente com temas já estudados em outras disciplinas, especialmente sobre desigualdade social, direito à cidade e exclusão territorial. Além disso, lembrei das discussões pedagógicas sobre educação crítica e conscientização social, mostrando como experiências práticas podem gerar aprendizagens muito mais profundas.

Ao final, escrevemos em post-its nossos sentimentos sobre a atividade e compartilhamos nossas reflexões. Foi uma miniaula extremamente participativa, sensível e necessária. Saí dela pensando em como as desigualdades atravessam todos os aspectos da nossa vida e em como a educação pode nos ajudar a enxergar, questionar e transformar essas realidades.


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