sexta-feira, 1 de maio de 2026

Reflexões sobre o Ensino de História e Geografia ( Sheila Sousa Carneiro)

Reflexões sobre o Ensino de História e Geografia


Ao ingressar neste semestre, as incertezas sobre a disciplina de Ensino de História e Geografia eram latentes. Pairavam dúvidas sobre a viabilidade de se iria dar conta de um conteúdo tão vasto em tão pouco tempo e confesso que a ansiedade era o sentimento dominante. No entanto, o primeiro contato com a disciplina rompeu com qualquer expectativa tradicional. Fomos acolhidos por uma prática docente profundamente humanística; o professor, em uma postura de escuta e presença, utilizou música, yoga e a simplicidade dos pés descalços para criar um ambiente de acolhimento. Mais do que ensinar conceitos, ele demonstrou o desejo genuíno de nos conhecer: quem éramos, quais nossas angústias e o que esperávamos daquela jornada.

A partir daí nenhuma aula foi igual a outra, nada repetitivo. Neste primeiro ciclo, a estratégia de co-responsabilidade pelos colegas faltosos chamou-me a atenção. O ato de cada aluno contatar um colega ausente transformou a turma em uma rede de apoio, algo que reflete diretamente a Teoria Histórico-Cultural de Vygotsky, ao compreendermos que o aprendizado é um processo social e mediado pelo outro. A partir daí, as aulas tornaram-se trajetórias de autoconhecimento. Ao escrevermos e compartilharmos nossos memoriais, rimos e choramos juntos, compreendemos que nós somos a própria História e que ocupamos espaços geográficos vivos. Essa subjetividade permitiu que a teoria não fosse algo distante, mas uma extensão de nossas existências.

No segundo ciclo, a prática ganhou forma através da revista digital ETTE (Espaços Tempos de Trabalhadores Estudantes). A elaboração dessa revista foi um exercício de valorização da nossa rotina. Ao sermos chamados de "trabalhadores estudantes", fomos validados em nossa complexidade. Complementando essa fase, a sala transformou-se em um clube literário. Cada aluno levava consigo dois livros, um locado em alguma biblioteca e outro de seu acervo pessoal. Levei comigo obras que dialogam com nossa identidade local, um livro de título: Geografia Estética de Fortaleza (locado na BECE) e o outro de título: Entre os Mapas da Arte,que fala sobre o patrimônio cearense. Essa atividade reforçou a importância do repertório cultural e literário na formação docente, mostrando que a literatura e a geografia caminham juntas na construção do olhar crítico sobre o território.

Continuamos nossa caminhada com a apresentação das mini-aulas, onde poderemos ensaiar estratégias pedagógicas práticas ao apresentar para nossos colegas e professor uma aula. Outro momento válido que tivemos foi a visita técnica ao MAUC (Museu de Arte da UFC). A experiência no museu foi o ápice dessa jornada até agora, pois de forma leve e colaborativa, fomos desafiados a olhar a arte de um jeito pessoal e dinâmico, fugindo do engessamento das visitas guiadas tradicionais.

Refletindo sobre esse percurso, percebo que ensinar é, essencialmente, uma arte. A disciplina me mostrou que a eficácia pedagógica não reside na exaustão de conteúdos, mas na criação de estratégias que façam o aluno aprender de forma leve e subjetiva. Ao associar essa experiência aos estudos sobre mediação pedagógica, compreendo que o papel do professor é ser esse facilitador que humaniza o espaço escolar. Saio deste ciclo com a certeza de que a prática docente que pretendo exercer deve ser, acima de tudo, acolhedora, criativa e profundamente conectada com a realidade humana e social dos estudantes.


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