sexta-feira, 1 de maio de 2026

ENTRE O ESTRANHAMENTO E A DESCOBERTA (Jéssica Almeida)

A disciplina de Ensino de Geografia e História tem se mostrado de maneira totalmente diferente do que eu imaginava. Confesso que os aspectos que me trouxeram estranheza foram muitos, pois eu esperava uma disciplina que trouxesse conteúdos de História e Geografia a serem trabalhados em sala de aula com os alunos. No entanto, ao contrário disso, me deparei com rodas de conversa e reflexão, acolhida, relatos de vida e muita arte. No meu primeiro contato com a disciplina, lembro de participar de uma roda em que fui convidada a fechar os olhos e meditar. Confesso que me senti desconfortável e confusa sobre a proposta da disciplina, mas, ao longo da dinâmica, passei a me sentir mais confortável e acolhida.

Outra atividade que me gerou bastante impacto foi criar um relato sobre a minha vida, no qual pude reviver o passado, me situar no presente e pensar sobre o futuro. Escrever sobre minha vida e me expor gerou desconforto e insegurança, mas também me permitiu refletir que, apesar das situações que marcaram minha vida negativamente, consegui encontrar momentos que me marcaram e ainda me marcam de forma positiva. Ao ler os relatos de meus colegas, também consegui conhecer um pouco mais sobre cada um: suas histórias de vida, sentimentos, rotinas e experiências. Também tivemos outras atividades que geraram reflexão, como perguntas sobre o ensino de História e Geografia, além de questionamentos que nos desafiaram a pensar sobre nós mesmos. Ao fim da dinâmica, conversamos sobre nossas reflexões. Mas, de todas as atividades de que participei, escrever um poema para a revista Espaços-Tempos de Trabalhadores Estudantes (ETTE) foi o que mais me entusiasmou, pois, desde a escola, sempre gostei de criar poemas, o que ativou memórias em mim. Além disso, essa atividade me permitiu expressar, de forma sensível e criativa, um pouco mais sobre a minha vida, tanto no passado quanto no presente.

Por fim, ao iniciarmos a proposta do ciclo de estudos, cada aluno deveria levar dois livros de seu interesse, sendo que um deles deveria ser de uma biblioteca. No dia, acabei levando apenas um livro: “A Pequena Livraria dos Sonhos”, de Jenny Colgan, que comecei a ler e que me inspira a ter coragem para realizar meus sonhos e enfrentar as dificuldades da vida, assim como a personagem da história. Entre essas trocas, também tive a oportunidade de rever livros que já li, como “A Sutil Arte de Ligar o F*da-se”, de Mark Manson, um dos livros de que mais gostei, pois traz ensinamentos e reflexões sobre a vida que são difíceis de encarar, levando-nos a sair da zona de conforto. Também tive a oportunidade de levar dois livros que encontrei na biblioteca e que têm relação com o ensino de Geografia e História, como “Ceará: economia, política e sociedade” e “História do Brasil: sociedade e cultura”. Interesso-me mais pela História do Brasil, pois sempre gostei de estudar sobre o país desde a escola. Na aula de ajuste, visitamos o Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC) e analisamos cada obra de maneira dinâmica e pessoal, dialogando com o acervo, o que me levou a olhar cada obra de um novo jeito. Ao refletir sobre as experiências que tive ao longo das aulas, percebo que a disciplina rompe com o modelo tradicional e engessado, baseado apenas na transmissão de conteúdos, sem qualquer diálogo com o aluno. As atividades propostas buscaram valorizar a escuta, as vivências e a coletividade, aproximando-se de perspectivas pedagógicas como a pedagogia libertadora, que enfatiza o diálogo e a participação ativa dos estudantes no processo de aprendizagem. Dessa forma, compreendo que a disciplina vai muito além do simples repasse de conteúdos, contribuindo para a construção de um pensamento crítico, sensível e humano.


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