Antes mesmo de iniciarmos o ciclo de aprendizagem propriamente dito, vivenciamos momentos fundamentais que prepararam o terreno para tudo o que viria depois. No início da disciplina, tivemos aulas introdutórias que possibilitaram não apenas a compreensão da proposta pedagógica, mas, sobretudo, a construção de vínculos entre nós. Em cada encontro, o professor organizava a aula com a escolha de dois colegas: um responsável pelos registros e outro pela “agenda”, que orientava os presentes e também aqueles que não estavam em sala sobre o que havia sido realizado. Esse cuidado já indicava uma prática coletiva e participativa.
As aulas começavam com uma roda de conversa, em que compartilhamos sentimentos, às vezes com uma palavra, outras vezes de forma mais aberta. Em seguida, fazíamos alongamentos e aprendíamos uma música, o que contribui para criar um ambiente acolhedor e leve. Essas práticas, embora simples, foram essenciais para que eu me sentisse parte do grupo. Havia uma sensação de pertencimento e de escuta que nem sempre encontramos em contextos educativos mais tradicionais.
Um dos momentos mais marcantes foi a construção do memorial de vida. A dinâmica consistia em ler nosso texto individualmente enquanto o papel circulava entre os colegas. Foi uma experiência profundamente emocionante. Ao ler as histórias, percebi a diversidade de trajetórias presentes na turma, histórias de luta, rotina, superação, e, ao mesmo tempo, identifiquei pontos de aproximação. Senti empatia, respeito e uma conexão mais profunda com meus colegas.
Outra atividade significativa foi realizada em grupos, com perguntas disparadoras como: “o que eu quero mudar no mundo?”, “no ensino de história e geografia?” e “em mim?”. À medida que o papel circulava, acrescentávamos reflexões e respostas. Esse exercício me fez pensar criticamente sobre meu papel enquanto futura educadora e também enquanto sujeito social. Foi um momento de inquietação, mas também de construção de sentido.
Também fomos apresentados à revista ETTE — Espaços-Tempos de Trabalhadores Estudantes — que nos convida a expressar nossas vivências por meio de diferentes linguagens. Achei a proposta potente, pois valoriza nossas experiências para além do espaço formal da sala de aula, promovendo uma aproximação entre estudantes e professor. Além disso, tivemos contato com a proposta da Escola da Ponte, a partir da leitura do texto “A escola que sempre sonhei”. Essa leitura ampliou minha visão sobre possibilidades pedagógicas mais autônomas e centradas no estudante.
Por fim, antes de iniciar o ciclo, realizamos uma troca de livros: cada um levou dois, um de interesse pessoal e outro relacionado à história ou geografia. Escolhemos um para leitura e deixamos o outro disponível para os colegas. A partir disso, iniciamos nossos estudos com base em nossos interesses, o que serviu como ponto de partida para as miniaulas.
Refletindo sobre essas experiências, percebo uma forte relação com concepções pedagógicas que valorizam o protagonismo do estudante, a aprendizagem significativa e a construção coletiva do conhecimento, como defendido por autores estudados ao longo da formação. Mais do que conteúdos, vivenciamos práticas que nos ensinaram sobre escuta, respeito, autonomia e colaboração, elementos essenciais para uma educação transformadora.
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